25/04/2018 Agronegócio, Tecnologia

Agrishow chega à 25ª edição e espera crescimento

Organização promete novidades e não acredita que incerteza sobre juros do crédito rural possa atrapalhar os negócios.

Realizada em Ribeirão Preto (SP), a Agrishow chega a 25ª edição com a expectativa de manter a trajetória de crescimento de negócios. Os organizadores esperam um aumento entre 5% e 10% no volume de negócios neste ano em relação à feira de 2017, quando foram contabilizados R$ 2,2 bilhões, superando o desempenho do ano anterior.
“Além do fato de a economia brasileira estar se recuperando, temos este ano uma expectativa positiva em relação ao preço da soja, por causa da seca na Argentina”, explica o presidente da Agrishow, Francisco Matturro. Os principais contratos da oleaginosa em Chicago (CBOT), referência de preços para o mercado internacional, vêm operando acima de US$ 10 por bushel.

De 30 de abril a 4 de maio, a organização espera receber cerca de 170 mil pessoas. Nos estandes, mais de 800 marcas apresentam produtos e soluções para o melhor desempenho das atividades agropecuárias. A promessa é manter a tradição de um catálogo diversificado: desde ferramentas tecnológicas, passando por insumos e equipamentos para irrigação e armazenagem, até as novidades do maquinário agrícola.

“As máquinas do campo não ficam velhas apenas pelo uso. Há também a defasagem tecnológica. A feira oferecerá o que há de mais novo no setor, porque não temos nenhum atraso em relação aos lançamentos da Europa e dos Estados Unidos”, garante Francisco.

Presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (CSMIA/Abimaq), uma das organizadoras do evento, Pedro Estevão Bastos destaca que a tecnologia do maquinário tem avançado a cada ano. A captação e a análise de dados, por exemplo, dão ao agricultor mais condições de tomar a melhor decisão.
“E a compra de uma máquina nova sempre trará benefício econômico para o produtor. Hoje, elas consomem menos combustível e ajudam a aumentar a precisão no plantio, na adubação e na pulverização. Tudo isso diminui o custo do processo”, diz.

Além das máquinas, vedetes da exposição, os organizadores da Agrishow também esperam bons negócios nos setores de armazenagem e irrigação. Na feira de 2017, esses segmentos estiveram entre os que mais evoluíram em negócios em comparação ao ano anterior, com altas de 11% e 20%, respectivamente.

Outra aposta de bons negócios vem do segmento da pecuária, afirma Francisco. “Há mais gado confinado, e isso demanda mais equipamentos para o trato dos animais.”

Juros indefinidos

Um aspecto que pode afetar os negócios na Agrishow deste ano é a incerteza em relação ao crédito rural. Com o Plano Safra 2017/2018 ainda em vigor, as taxas cobradas nas atuais linhas de financiamento estão maiores do que a Selic, os juros básicos da economia, em trajetória descendente.

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, tem dito que os juros do crédito rural devem cair, mas não antes da virada do calendário-safra, em 1º de julho, quanto entra em vigor o novo Plano Safra, ainda em fase de discussões dentro do governo.

O presidente da Agrishow, Francisco Matturro, admite que a possibilidade de queda de juros no futuro pode inibir a decisão de compra. Argumenta, por outro lado, que não convém o agricultor ficar esperando se tiver de adquirir um equipamento agora, antes da virada do ano-safra. “Existe a possibilidade de a taxa de juros cair, mas o produto pode ficar mais caro nos próximos meses.”
Não convém o agricultor ficar esperando se tiver de adquirir um equipamento agora, antes da virada do ano-safra”
Francisco Matturro

Pedro Bastos, da Abimaq, acrescenta que a decisão do produtor não pode se basear apenas no custo de capital. “É apenas uma das variáveis. E não sabemos o que vai acontecer de fato com o Plano Safra. Se o agricultor deixar para comprar em julho, ele estará trocando o certo por algo que hoje ainda é incerto.”

José Luís Campos, superintendente comercial do banco holandês DLL, instituição que dá suporte a vários dos chamados “bancos de fábrica”, pensa de forma semelhante e reforça o argumento de que as novas condições podem não ser mais tão atrativas quanto o esperado. De qualquer forma, mesmo reconhecendo a incerteza no tocante aos juros, ele mantém a expectativa positiva em relação à Agrishow deste ano.

Segundo José Luís Campos, a participação dos bancos de fábricas nos financiamentos vem crescendo a cada ano. E o crescimento nos negócios verificado em outras feiras neste ano, como o Show Rural Coopavel e a Expodireto Cotrijal, é animador. No evento de Ribeirão Preto, a expectativa é crescer entre 30% e 40% em relação ao ano passado.
“O mercado está entendendo os benefícios desse tipo de financiamento. É um modelo que traz conveniência, velocidade e segurança para o processo”, explica. “É melhor para o produtor, que precisa da máquina com urgência, e também para o concessionário, porque o estoque gira mais rápido.”

Entre os bancos tradicionais, o Santander deve manter sua estratégia de crédito pré-aprovado para seus clientes que visitarem a feira. Na edição do ano passado, o montante reservado foi de R$ 1 bilhão. Outro estímulo que a instituição tem adotado é a chamada taxa flat – isenção de comissão –, com a promessa de mais agilidade no atendimento ao produtor.
“Nesse tipo de financiamento de máquinas e equipamentos, o prazo é de cinco a dez anos, com 20% de entrada e o próprio bem em garantia”, explica Carlos Aguiar, diretor de agronegócio do Santander. Ele garante que o produtor que não tiver o crédito pré-aprovado também tem o suporte do banco para fechar negócios na feira.

Fonte: Revista Globo Rural

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